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Ciclistas correm riscos nas ruas

O perfil da Serra do Curral que emoldura o horizonte da nossa cidade já revela os desafios da topografia para os ciclistas. Mas a economia de dinheiro e de tempo no trânsito caótico de BH tem levado cada vez mais pessoas a usarem a bicicleta como meio de transporte. O candidato do Novo à Prefeitura, Rodrigo Paiva, foi conferir, nesse domingo (08), os desafios de quem se aventura pelas poucas ciclovias que existem na cidade.

O Plano de Mobilidade por Bicicleta de Belo Horizonte, elaborado pela BH em Ciclo – Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte – em conjunto com a Prefeitura previa ações para fazer com que 2% dos deslocamentos na cidade fossem feitos por bicicletas. Mas meta está longe de ser cumprida pelo atual prefeito Alexandre Kalil, que foi quem aprovou o plano em 2017. E, hoje, o índice chega a apenas 0,4% dos deslocamentos.

Rodrigo Paiva tem um plano para melhorar a mobilidade de Belo Horizonte que inclui um projeto ousado de usar tecnologia para integrar diversos modais de transporte. Desta forma, uma pessoa que vá sair de manhã para o trabalho pode usar bicicleta, metrô, aplicativo, táxi, ônibus, tudo num mesmo deslocamento – com apenas uma tarifa, que serviria, inclusive, para quem mora em outras cidades da Região Metropolitana e que trabalham ou estudam na Capital.

Mas para funcionar, como acontece em várias grandes cidades do mundo, sua implantação deve ser acompanhada de infraestrutura de apoio à integração, incluindo bicicletários, estacionamentos de veículos, áreas de embarque/desembarque e transferência, além de pontos de táxi e de motoristas de aplicativos.

“Em uma das minhas idas à Estação Diamante, no Barreiro, conversei com três jovens que estavam saindo de um carro de aplicativo, para pegar o ônibus na estação. Elas me disseram que dividiam a viagem para ficar mais rápido e mais barato. E vi que na estação há um bicicletário. Isso me fez ter certeza de que meu projeto para a mobilidade é viável e, de alguma forma, utilizado por muita gente.”

O candidato a vereador pelo Novo Hélio Filho, que há 12 anos estuda o uso de bicicletas como transporte e a usa para ir trabalhar, complementou: “Nós precisamos ampliar o uso desse meio de transporte, com soluções simples, como a ampliação dos horários para transportar bicicletas no metrô e instalar mecanismos nos ônibus que permitam aos usuários levá-las no coletivo, como já acontece em Vitória, no Espírito Santo, por exemplo.”

Em sua plataforma para a mobilidade, Paiva também avalia a questão das ciclovias. Uma pesquisa divulgada neste ano pelo site Mobilize apontou que, em BH, mais de 90% dos ciclistas enfrentam problemas de segurança ligados à falta de ciclofaixas em ruas e avenidas da Capital.

“Nós percorremos 5km entre as Praças da Liberdade e da Estação. E fiquei surpreso porque as ciclovias não ligam nada a lugar nenhum. O ciclista está indo e, de repente, a ciclovia acaba, desaparece. Nós precisamos fazer uma pesquisa para avaliar a origem e o destino dos usuários, de forma a evitar o desperdício com a implantação de ciclovias que têm pouquíssimo ou nenhum uso, enquanto que outras regiões da cidade têm muita demanda e não há ciclofaixas disponíveis ou estão em estado precário, com trajetos muito limitados. Nós temos de criar uma rede efetiva para o uso da bicicleta.”

Além dessa rede e da infraestrutura de apoio, continua Paiva, a Prefeitura vai buscar parcerias com a iniciativa privada para promover programas de incentivo ao uso de bicicletas e a implantação de equipamentos. E o aumento do uso das bicicletas pode ajudar a criar emprego e renda, como se viu na pandemia, com a explosão de bicicletas motorizadas para entrega de delivery. E ainda podem surgir novas oportunidades como lojas especializadas, oficinas.

A pesquisa do site Mobilize também apontou que quase 50% dos ciclistas que circulam por BH são pessoas que recebem até dois salários mínimos. Paiva diz que neste momento de grande fragilidade econômica das famílias, depois que 35 mil pessoas que perderam o emprego na pandemia não conseguiram voltar a trabalhar e do fechamento de 11 mil empresas na cidade, por causa das medidas restritivas é fundamental oferecer condições de redução dos gastos com transporte. “Eu não vou descansar enquanto não recuperar as vagas perdidas e abrir novas frentes de trabalho. Mas quero oferecer condições seguras para quem vai usar a bicicleta, que é um transporte barato, não poluente e, muitas vezes, é até mais rápido do que os ônibus, que vivem superlotados e demoram com a lentidão no trânsito da cidade.” – afirma Paiva.

TARIFA E MOBILIDADE

Outra proposta de Rodrigo Paiva é usar a tecnologia para baratear o custo da tarifa:” Quem comprar passagem com antecedência vai poder pagar menos. E as empresas, podendo dimensionar melhor a demanda, poderão optar por usar ônibus menores em horários com menos passageiros para reduzir custos.”

Paiva é engenheiro e quer resolver os graves problemas da mobilidade, rediscutindo os contratos de concessões com as empresas de transporte público, para rever a qualidade dos serviços prestados, como quadro de horários, oferta de linhas e condições dos ônibus. E diz que uma pesquisa de origem e destino vai reavaliar as reais necessidades da população, para uma ação estratégica integrada com outras cidades da Grande BH.

Ele explica que a cidade precisa de obras estruturantes – as últimas realizadas aqui foram em 2014, para a Copa do Mundo. E afirma que a implantação do Move – a grande aposta para resolver o gargalo da mobilidade – não conseguiu desafogar completamente o trânsito em BH. “A falta de pistas exclusivas de ônibus prejudica a eficiência do sistema em toda a cidade. Faltam áreas para ultrapassagem dos ônibus e existe ainda uma carência de integração maior nas estações e entre as linhas metropolitanas.”

Além disso, ainda há o metrô, que aproveitou linhas existentes e não atende uma demanda real de regiões mais adensadas da Capital. Paiva diz que vai fazer gestões da Prefeitura com o Estado junto ao Governo Federal para garantir os recursos que já foram anunciados para as obras a construção da linha 2. E que vai buscar recursos também para resolver os gargalos do anel. E lembrou que o Governo de Minas já anunciou, para o ano que vem, a licitação do rodoanel.
“Acredito que com um transporte público bem administrado, com uso de tecnologia e a integração de vários meios de transporte e ampliação das ciclovias e teremos condições de reduzir o número de veículos em circulação, dando mais fluidez ao tráfico, mais qualidade aos serviços de ônibus e até o meio ambiente agradece, com a melhora da qualidade do ar.” – resumiu.

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