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Rodrigo Paiva diz que vai fazer parcerias com seguradoras para que vítimas de inundações sejam reembolsadas pelos prejuízos

“Inundação aqui? É só esperar a próxima.” O desabafo feito a Rodrigo Paiva, na manhã desse feriado de Finados, é de Cléber Rodrigues dos Santos, que há trinta anos mora na Vila Suzana, na Região da Pampulha. Dono de um bar que fica ao lado do Estádio Vicente Caetano de Almeida, ele conta que a água do Córrego do Onça chega até o campo de futebol amador.

E essa novela não é de hoje. Entra ano e sai ano, os moradores sofrem com as inundações. O bairro Vila Suzana começou a ser povoado na década de 1950, em um terreno da Rede Ferroviária Federal, quando ainda predominavam propriedades agrícolas na região. Ele e o bairro Primeiro de Maio surgiram como vilas operárias, criadas para tentar resolver os problemas do déficit habitacional, com oferta de lotes mais baratos. E a região cresceu desordenadamente, provocando o surgimento de favelas e ocupação de áreas às margens dos córregos. Jorge Duque de Almeida diz que há 54 anos a região sofre constantemente com o problema das enchentes. ”Aqui junta os córregos Cachoeirinha, que vem lá de cima, com o Onça, aqui embaixo. A água não consegue ter vazão e inunda aqui tudo. Tinha que fazer uma obra para evitar isso.”

A grande dificuldade de acesso à área foi resolvida na década de 1980, com a construção da Avenida Cristiano Machado, que ligava o centro de Belo Horizonte ao Anel Rodoviário e à zona Norte da cidade. Foi mais um estímulo à ocupação de novas áreas naquela região. Com relevo suave e baixa declividade a avenida Cristiano Machado e seu entorno localizam-se ao fundo de um vale, o que facilita a concentração de água. O adensamento populacional e a impermeabilização do solo dificultam a infiltração da água, o que facilita a ocorrência de inundação brusca e concentrada. Poliana Stephanie da Silva diz que neste ano já enfrentou três enchentes. Ela mostra o carro do padrasto parado na porta de casa, ainda cheio de lama das chuvas do início do ano. “Ele não funciona mais. A água subiu e tampou o carro todo. Nem dava para ver o teto. A gente tentou salvar o que pôde. E meu padrasto pegou até aquela doença do rato, a leishmaniose na água suja.”

Algumas casas estão abaixo do nível da rua, o que aumenta o risco para os moradores saírem quando começa a inundação. Jane de Jesus é faxineira e mora no mesmo lugar há 47 anos. A casa onde ela vivia com a mãe caiu. Com ajuda da igreja católica e de um vizinho ela conseguiu construir três cômodos. Revoltada, Jane mostra no quarto que divide com os filhos a marca da última enchente que chegou ao teto do barracão. “O armário nem tem mais as portas. E eu coloquei os sacos de roupa ali em cima pra levar pra casa dos amigos, porque já começou a chover de novo.” Jane conta que técnicos da Urbel e da Defesa Civil já foram até lá, mas não fizeram nada e ela não recebeu nenhuma ajuda da Prefeitura. Naiara Aline Moreira, que mora no mesmo terreno, mostra que está levantando um segundo pavimento na casa dela, pra fugir da enchente. Ao lado da construção, há um amontoado de móveis velhos que a enchente destruiu. E fala desanimada: ”Chega novembro, dezembro volta tudo. E o pior são as manilhas que a prefeitura colocou. A água da chuva sai desses buracos e fica armazenada aqui dentro.” Nos fundos do terreno, outra construção também já está no segundo pavimento. E sob a fundação, dá pra ver as manilhas da rede de drenagem, que despejam a água no terreno. “ Tô cansada de perder tudo.”

Rodrigo Paiva diz que é preciso fazer a regularização fundiária dos imóveis, em parceria com a iniciativa privada, para que os moradores possam ter acesso a serviços básicos como coleta de esgoto. E que, além disso, é preciso – junto com o Governo de Minas, buscar recursos federais para construir reservatórios subterrâneos em pontos específicos e bacias de drenagem para evitar inundações em áreas de risco. E também rever as galerias da rede pluvial que estão velhas e não comportam mais o volume de chuva. “Uma solução para essas famílias, depois que realizarmos obras estruturantes, é fazer parcerias com empresas de seguro, que possam dar garantias às pessoas que tiverem as casas atingidas e que perderam seus móveis, aparelhos e roupas. Eu vou trabalhar duro para resolver o problema dessas pessoas e dar a elas dignidade para viver.”

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